Porta-voz da corporação reafirmou que não havia operação na comunidade na noite em que crianças foram atingidas. Ela destacou que armas foram apreendidas e que os agentes prestaram depoimento à Polícia Civil.

Por Ana Paula Santos, Bom Dia Rio

07/12/2020 10h52  Atualizado há 18 minutos


Crianças são mortas em Caxias, durante tiroteio

Crianças são mortas em Caxias, durante tiroteio

A porta-voz da Polícia Militar, Gabriela Dantas, afirmou que é preciso aguardar o resultado das investigações da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) sobre as mortes das meninas Emilly Victoria, de 4 anos, e Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos, de 7 anos.

Segundo ela, qualquer acusação contra os PMs que estiveram na região da comunidade Santo Antônio, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, antes dos resultados da perícia seria “leviano”.

A declaração foi dada na manhã desta segunda-feira (7), em entrevista ao Bom Dia Rio

“Seria leviano levantar qualquer suspeita de que a morte das meninas tivesse alguma relação com o deslocamento destes policiais”, disse a porta-voz da PM.

A porta-voz reafirmou que não havia operação na comunidade. Segundo ela, os agentes contaram em depoimento que foram chamados para um caso de furto de veículo e ficaram na esquina esperando que o carro em questão saísse da comunidade. Como isso não aconteceu, eles saíram dali. Eles, então, afirmaram que escutaram alguns tiros.

A porta-voz da PMERJ, Gabryela Dantas, falou sobre as mortes de duas meninas na comunidade Santo Antônio, em Duque de Caxias — Foto: Reprodução/ TV Globo

A porta-voz da PMERJ, Gabryela Dantas, falou sobre as mortes de duas meninas na comunidade Santo Antônio, em Duque de Caxias — Foto: Reprodução/ TV Globo

Ainda de acordo com a coronel Gabriela Dantas, os agentes afirmaram em depoimento que não executaram os disparos e que aumentaram a velocidade do veículo em que estavam. E que este aumento foi comprovado pelo comandante do 15º Batalhão (Duque de Caxias) por dados do GPS do veículo.

“As armas dos policiais foram apreendidas pelo comando do 15º Batalhão, responsável pelo patrulhamento da área em Duque de Caxias, que entregou as armas para a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, assim como os policiais militares que estavam neste deslocamento se apresentaram espontaneamente e prestaram depoimento”, completou a porta-voz da PM.

A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) apreendeu as armas — cinco pistolas e cinco fuzis — dos cinco policiais militares que estavam na região onde as meninas foram mortas para a realização de perícia.

Emilly e Rebeca foram assassinadas enquanto brincavam na porta de casa, em Duque de Caxias — Foto: Reprodução/TV Globo

Emilly e Rebeca foram assassinadas enquanto brincavam na porta de casa, em Duque de Caxias — Foto: Reprodução/TV Globo

Protesto

No domingo (6), moradores de Duque de Caxias protestaram contra as mortes. Durante o ato, a mãe de Emilly, Ana Lúcia Silva Moreira, reafirmou que não havia confronto, nem operação policial, nem tiroteio na comunidade antes de a filha ser morta.

Familiares afirmam que só a polícia atirou momentos antes de as meninas serem atingidas. A Polícia Militar nega que agentes tenham efetuado disparos.

“Eles só sabem fazer isso, dar tiro. Olhou, dá tiro. Quando percebi, eu só peguei o documento. Porque eu já sabia, minha filha já estava estirada. A minha filha levou tiro de fuzil na cabeça. A minha filha já estava morta. A minha sobrinha deu tempo de correr e morreu ao lado da caixa d’água da mãe dela. Os moradores estão comigo. Não é vereador, não é prefeito, não é governador. São os moradores”.

O protesto deste domingo na Praça Raul Cortez, no centro de Caxias, reuniu parentes e amigos das meninas e movimentos sociais.

As duas meninas eram primas e brincavam na porta de casa na comunidade Santo Antônio. Emilly Victoria, que completaria 5 anos esse mês, foi baleada na cabeça. Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos levou um tiro no abdômen. Ambas foram enterradas neste sábado (5) sob forte comoção.

O pai de Emily desmaiou várias vezes durante o velório e foi amparado por parentes. Segundo a ONG Rio de Paz, ele é ajudante de pedreiro e ajudou a enterrar a filha.

“É isso aí que a gente leva, ó. Duas crianças, minha filha, minha sobrinha. Tô acabando de enterrar, isso fica aí pra comunidade, pros governadores”, desabafou o pai enquanto fechava o local onde o caixão da menina foi colocado.