A maioria dos estados fixou o mês de fevereiro como o momento para o regresso às atividades escolares, mas sem data certa ou modelo de estudo: presencial, híbrido ou misto.

Milhões de alunos vão retornar às escolas agora, em fevereiro, na maioria dos estados.
Volta às aulas …mas com o avanço da pandemia quando e onde ? Tem aluno pelo Brasil que não sabe o dia que começa.

“A gente ainda não tem a certeza se vai ser o ensino híbrido ou não, ou seja, é somente as aulas práticas lá na escola. A gente ainda não sabe de nada”, diz a estudante Milena Carmo.

Três estados não definiram uma data para a volta às aulas. Um deles, é o amazonas que vive um colapso no sistema de saúde.

Quinze estados voltam em fevereiro, outros sete e o Distrito federal em março. Apenas um estado já voltou.

Goiás escolheu o modelo híbrido: os estudantes estudam ou na escola ou em casa. Esse é o modelo que deve ser seguido por outros treze estados.

No Rio de Janeiro, os colégios estaduais devem abrir as portas em 8 de fevereiro, mas só vão receber alunos a partir de primeiro de março, e apenas os que vivem em situação mais vulnerável.

Para tentar evitar aglomeração no transporte públio, as aulas durante o dia terão turno único: das 10 de manhã às 15h.

Por medo de pegar a doença, Luiz Otávio prefere estudar de casa. O governo do Rio promete ceder um pacote de dados para quem puder acessar a internet. Mas muitas vezes o problema é exatamente o acesso.

“Primeiro foi falado que iam dispnibilizar chips para que a gente pudesse acessar a rede de dados móveis. Mas até o momento, nenhum chip chegou na mão de nenhum estudante. Vamos ver se vai ser cumprida a promessa”, diz Luiz Otávio.

O Conselho das Secretarias Estaduais de Educação diz que os governos estão planejando a volta às aulas com base nos dados da covid-19 trazidos pelos comitês científicos locais. Mas especialistas em educação afirmam que quase 11 meses depois do início da pandemia, estados e prefeituras deveriam estar mais bem preparados.

“A essa altura do campeonato a gente já teria que ter em todas as redes de ensino do Brasil o planejamento pronto, formação de professores, a avaliação dos alunos, os protocolos todos já registrados e com a formação dos profissionais pra poder executá-los então a gente tá atrasado, o Brasil é um dos países que mais permaneceram com escolas fechadas e infelizmente agora, no começo de 2021, a gente tem ainda famílias perdidas, secretarias estaduais e municipais sem um comunicado claro para as famílias, para os alunos, para a população brasileira”, diz a presidente-executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz.

Essa especialista em educação critica a falta de coordenação do governo federal.

“É importante lembrar que 190 países tiveram as suas escolas fechadas em algum momento da pandemia, a maioria por 3 meses, 2 meses – 30 países ainda estão com as escolas fechadas, como é o caso do Brasil. Nesses países, nesses outros países, quem coordenou toda resposta educacional à COVID foi o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde e isso infelizmente no Brasil não aconteceu. Nós vamos voltar com o vírus ainda no ar, segundo os epidemiologistas. Todos esses países que voltaram voltaram com o vírus no ar e não é só na Europa, na África voltaram. Então vai ser muito importante discutir com os professores, discutir com os pais desses alunos, inclusive fazer com que os pais dos alunos sigam os protocolos, porque se essa criança chegar sem máscara à escola e não é uma criança de educação infantil, ela pode estar transmitindo, então é importante que isso seja muito conversado com as famílias”, diz Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais (CEIPE).

É urgente combater os efeitos da pandemia agora e também no futuro da educação.

“Tem uma série de resultados e atrasos que ficaram do ano passado e, pra isso, as ações de curto prazo são essenciais, a avaliação da aprendizagem dos alunos, formação de professores, reforma das escolas, revisão do calendário escolar, revisão do currículo, enfim, tem uma série de ações que são necessárias agora e que são muito imediatas. A gente tem que entender que a educação ela é a base de um país, mas pra essas crianças e jovens mais pobres a educação é a única chance que eles têm de uma vida melhor”, ressalta Priscila Cruz.