Mudança seria um recado político, pois ministro da Saúde, que tem sido criticado por sua atuação no combate à pandemia, na prática só executa as ações do próprio presidente da República.

Diante da tentativa do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de mudar o discurso sobre a pandemia e a vacinação, agora colocando a medida como prioridade, governistas voltaram a defender nos bastidores que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, seja demitido.

Assim, o governo poderia “centralizar” o discurso de que a responsabilidade pelo colapso no sistema de saúde e atraso na negociação das vacinas foi do ministro – o que, politicamente, para blindar Bolsonaro, já tem sido feito por auxiliares do presidente nos bastidores.

Publicamente, até aqui, Bolsonaro vem defendendo e elogiando a atuação de Pazuello.

Mas, depois que o ex-presidente Lula, no primeiro discurso após voltar a ser elegível, defendeu a vacinação como saída para a pandemia e atacou a gestão de Bolsonaro no combate à Covid-19, aliados do presidente passaram a defender uma guinada no discurso governista. E isso passaria pela troca do ministro da Saúde, que tem sido criticado por sua atuação à frente da pasta – inclusive por militares – mas, na prática, só executa ordens do presidente.

Por isso, a troca, que voltou a ser defendida desde terça-feira, seria mais um recado político.

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Entre os novos argumentos para defender a saída de Pazuello, assessores presidenciais citam um vídeo gravado e circulando desde quarta-feira (11) em que o ministro diz que o sistema de saúde não colapsou e também não vai colapsar.

O vídeo irritou secretários estaduais de saúde, que têm cobrado medidas urgentes do governo federal e reclamaram ao Planalto.